domingo, 18 de março de 2012

Terceiro Domingo da Grande Quaresma : A veneração da Santa Cruz.



Quando Jesus convidou os discípulos para segui-Lo, Ele não deu nada em troca, apenas a promessa do Reino.


Na leitura de hoje, o Evangelho de Cristo nos convida: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".


Normalmente, somos convidados a uma festa ou um banquete.


No entanto, o convite de Cristo é realmente um pedido para sacrificar-nos por uma melhor escolha, que é o paraíso.


Em seu convite, Cristo nos convida a ser seus discípulos.


Ser um discípulo de Cristo requer muito sacrifício.


Quando Jesus convidou seus discípulos a segui-lo no início do seu ministério,os Apóstolos sacrificaram muitas coisas: trabalho, família e amigos, sabendo que seguir a Cristo significaria ter muitos inimigos, mas a sua fé em Cristo substitui esses temores e preocupações.






A Festa de hoje , neste Terceiro Domingo da Grande Quaresma é a veneração da Santa Cruz.


A Cruz significava muito para Cristo. Pois através da Cruz, Cristo morreu para descer ao Hades e destruir o poder da morte.


Através da Cruz, Cristo morreu e ressuscitou. Sua ressurreição significa que o poder da morte foi conquistado.


Cristo é o maior professor de sacrifício. Ele sacrificou sua própria vida para salvar-nos do poder da morte.


Ele sabia que iria morrer na cruz, e Ele poderia evitá-la, mas Ele não evitou.


Ele ainda carregou a Sua Cruz pelas ruas de Jerusalém para o Monte do Gólgota.


A mesma Cruz que os soldados usarão para crucificá-lo.


O evento da crucificação mostra quem realmente somos.


Deus nos ama de tal modo, que sacrifica o Seu Filho unigênito para nos salvar, mas a nossa tendência para rebeldia torna difícil ter fé n'Ele.


Quando Cristo nos pede para pegar nossa cruz e segui-Lo, Ele quer dizer que nós nos crucifiquemos das tentações do mundo, resistindo a todas elas: o individualismo, o orgulho, o jogo, o alcoolismo, a gula, ódio, ciúme.


Seguir a Cristo não nos levará a riqueza deste mundo, mas nós nos tornaremos filhos e filhas de Deus.


Não ficaremos ricos porque somos cristãos, mas nós vamos herdar o Reino de Deus.


Você, por exemplo, que escolheu vir a esta igreja neste Domingo. Eu chamo isso de sacrifício. 


Pois creio que você está preocupado com a preservação da fé ortodoxa.


Esta fé que nos é tão cara.


Também creio que a sua principal preocupação, chegando na Igreja, seja salvar as pessoas que estão perdidas, dar de comer ao faminto, dar vestes para os nus, visitar os doentes. 


Quando você se sacrifica, tentando fazer deste mundo um lugar melhor para viver, você escolhe combater o mal. E mesmo sabendo que esta luta não será fácil, vai i enfrenta-la de qualquer maneira.


Gostaria de lhe contar uma história real que li no New York Times.


Uma história sobre comprometimento, fé e sacrifício.


Cerca de cinco anos atrás, um jovem muçulmano de uma família muçulmana devota e filho de um imã - um sacerdote islamico - deixou sua aldeia no oeste de Java para ir
a Java Central procurar um emprego, mas não conseguia encontrar nenhum.


Ele estava sozinho, sem amigos, sem família, e ele estava à procura mesmo por qualquer emprego , mas não conseguiu encontrar nenhum.


Um dia ele encontrou um cristão e foi convidado para um estudo da Bíblia. Ele foi ao
estudo e fez muitas perguntas sobre o cristianismo e as diferenças entre a fé cristã e a a fé Islamica.


Normalmente, é raro que um muçulmano participe de um estudo cristão da Bíblia.


Não muito tempo após o evento do estudo da Bíblia, disse ao padre que queria ser batizado como cristão.


O padre ficou feliz, mas ao mesmo tempo preocupado. Pois um muçulmano que se torna cristão pode ser executado, de acordo com a lei islâmica.


Ainda assim, o sacerdote deu-lhe instruções sobre a fé cristã, tradição e dogmas. Mais tarde, ele foi batizado com o nome de Fócio.


Ele voltou para casa para contar a sua família que se converteu ao cristianismo. E você pode imaginar o que aconteceu em seguida. Seu pai ficou muito irritado. 


Ele pegou uma faca e tentou golpear o jovem Fócio, mas foi salvo por seu irmão, que o obrigou a sair de casa imediatamente.


Ele saiu e nunca mais voltou. Agora ele é casado e vive em outra cidade.


Ele perdeu toda a sua família porque ele decidiu seguir a Cristo.


Desde então, a sua família somos nós, todos os cristãos ortodoxos, que devemos o amar e cuidar dele.


Ele não se tornou mais rico do que era antes, mas ele é um cristão devoto, e está portanto, a construir a sua riqueza no Céu. Hoje ele ajuda o trabalho missionário no Leste de Java.
Seguir a Cristo é desejar ser seu discípulo e sua testemunha.


E ser testemunha de Cristo não é fácil, é preciso muita paciência, disciplina e determinação. 
Somos testemunhas da nossa fé através de nossas vidas e ações.


Através de nossas vidas e nossas ações é que demonstramos as nossas crenças como cristãos. Há muitas coisas que podemos fazer.


Podemos visitar os nossos amigos, nosso vizinho, ou qualquer desconhecido que está doente no hospital.


Talvez em um determinado dia, podemos recolher alimentos não perecíveis e doá-los. 


Podemos recolher as nossas roupas velhas que ainda estão boas, limpá-las e doá-las para o Exército da Salvação, por exemplo.


Podemos fazer muitas coisas para ajudar os pobres, os famintos, os doentes, os nus, os fracos.


Se você estiver pronto, você pode se tornar um missionário, no seu país ou no exterior.


Alguns dos cristãos deixam nossa comunidade por causa de algum mal-entendido, e
passam a caminhar cegamente para outra fé. 


Cabe a nós trazê-los de volta para o nosso Senhor Jesus Cristo. Nós podemos fazer disso a nossa atividade missionária. Temos de nos tornar uma testemunha ativa da nossa fé, em nossa vida pública, para mostrar-lhes que a vida cristã se faz no nosso exemplo.


Vamos fazer desta festa da veneração da Santa Cruz um ponto de partida para sermos
verdadeiros discípulos e testemunhas de Cristo.


Nós encontramos um tempo em nossa agenda para comemorar esta festa e para lembrar o dia em que Cristo foi crucificado. Cristo é o melhor exemplo de sacrificio.


O sacrifício de Cristo não foi um objeto que você pode comprar ou vender, mas um sacrifício de si mesmo para que através da Sua morte, a todos fosse concedido a vida.


Irmãos e irmãs, devemos ser os verdadeiros seguidores de Cristo, pois como crianças, adotadas por Deus através do nosso batismo, somos uma família, um corpo, e uma comunidade em Cristo. Amém.

Padre Ambrosio Bitziadis-Bowers.
Fonte : http://stgeorgeclifton.org

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ouvindo a Voz de Deus no silêncio.


A Igreja dedica o Segundo Domingo da Grande Quaresma para a memória de São Gregório Palamas, o padroeiro daqueles cristãos que praticam o silêncio e oração,  e que nos tempos antigos eram chamados de os "guardiões da quietude e lutadores ascéticos" (Hesicastas).

Eles se esforçavam para preservar a tranquilidade em seus corações, escondendo-se nos mosteiros mais remotos do Monte Athos,  afastados de todo o mundo, nas grutas mais ingrimes, distanciadas de outras habitações monásticas. E muitos vivem até hoje nas cavernas em que viviam esses ascetas. 

Mas porque é que nós glorificamos  São Gregório, este patrono dos detentores do silêncio, nesta segunda semana da  Grande Quaresma? 

É porque agora é precisamente o tempo em que é importante para nós buscar aprender, ou mesmo rememorar, o significado do silêncio e da quietude.



   O que é a nossa vida? Ele sempre caminha no ruído interminável e na agitação.

 A totalidade da existência humana moderna é acompanhada por uma massa de sons; nossas vidas são cercadas pelo ruído.

As pessoas, especialmente aquelas que vivem nas grandes cidades, estão constantemente a ouvir o ruído:  seja pelo barulho dos carros ou mesmo pelas  multidões caminhando.

O médicos dizem que isso é ruinoso para a saúde. Mas devemos ter  outra coisa em mente aqui. Este ruído dissipa a nossa concentração espiritual; já perdemos o hábito de quietude. 

Muitos de nós, encontrando-se em casa, em um silêncio momentâneo, já começamos a se sentir estranhos e desconfortáveis.

Nossas cabeças estão constantemente cheias de pensamentos ociosos e, ao mesmo tempo, não podemos simplesmente ficar quietos. 

Quantas palavras inúteis! 

E todo esse tumulto e agitação que acompanham nossas vidas não nos permite transformar a nós mesmos, de lembrarmos sobre o que é verdadeiramente importante aquinhoar aos nossos sentidos. E esta confusão continua até o nosso último suspiro.


 Às vezes, a mão cruel da doença poe fim a nossa pressa e  nos  limita em cima de uma cama, e assim de repente, nos retira da nossa correria geral, e assim somos capazes então, enfim, de ficarmos  sozinhos com nós mesmos.

Nesses momentos, começamos a pensar. O que temos realmente vivido? Para qual lugar estamos correndo? Qual a razão para tanta pressa ?  Qual é a fonte deste ruído em nossos corações, em nossos pensamentos, em  tudo ao nosso redor ?

Não deveríamos  ,pelo menos ocasionalmente,  buscar conquistar alguns minutos de descanso interior e  quietude? Pois afinal, como a  graça divina virá ao homem, como ela pode o tocar e o iluminar, quando o homem vive a correr, cegamente , sem pensar para onde e por que está correndo ? Como será possível a este homem, ouvir a voz de Deus?

A voz de Deus é sempre ouvida em silêncio. 

Se você quiser ouvi-la, tente conquistar  para você , pelo menos alguns momentos do dia. 
A Igreja nos dá uma regra para isso: dedique  vários momentos para ler as vossas orações, para voltar a si mesmo, e  para ter uma reflexão de como você viveu o seu dia anterior.

Pare para pensar : Como virá a  ser o meu dia seguinte? O que é isso tudo? 

Tal tempo de reflexão é importante, muito importante! 


Quem quiser conhecer a vontade de Deus, deve buscar o sossego.



Quem quer guardar seus pensamentos e sentimentos, deve buscar tranqüilidade, porque nossos pensamentos e sentimentos acabam por fugir de nós, pois nós  estamos sempre vivendo distraidamente.

O caso é que a  verdadeira vida espiritual ocorre sempre no recolhimento. 


Nós precisamos recolher os pensamentos e sentimentos para um centro tranquilo, instituído nas profundezas dos nossos corações, a fim de permitir que o silêncio no qual  Deus Se manifesta, e pode então falar conosco.


 Se nós não forçarmos a nós mesmos, se não  nos obrigarmos a ficar em silêncio; se permanecermos sob o controle do ruído mundano e da interminável correria, então toda a nossa vida vai passar de forma superficial, sem profundidade, sem espiritualidade, sem um verdadeiro encontro com o Senhor.

É por isso que devemos nos lembrar sempre daqueles detentores de silêncio; é por isso que a Igreja nos convida a lutar contra as palavras vazias, conversa fiada, conversas inúteis, e o uso do dom da linguagem para o nosso próprio mal.




A Sagrada Escritura nos diz: Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios. (Salmos 141:3)

É isto que devemos pedir ao Senhor . E Ele está esperando por nós, para que nós venhamos a buscar este silêncio, para que nos seja possível receber este dom de Deus: o silêncio na quietude de Sua bênção.


Arcipreste Alexander Men (Memória Eterna!)


Fonte : http://krotov.info

terça-feira, 13 de março de 2012

Para Compreender a Fé Ortodoxa : Ícones Não São "Retratos".




É realmente grande a dificuldade de compreensão, por parte dos não ortodoxos, a respeito do que vem a ser os Santos Ícones, e qual é a significação teológica dos Ícones em nossa fé. 



Partindo de referencias heterodoxos (do Catolicismo Romano e dos variados grupos Protestantes nascidos do Catolicismo Romano), nunca será possível ter uma correta compreensão a respeito deste tema. 

Este artigo, busca ajudar na descoberta da versão correta, Ortodoxa portanto, sobre os Santos Ícones. 


É uma leitura útil para não ortodoxos e verdadeiramente catequética, para os filhos da Santa Igreja. 
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Nunca vemos um santo retratado em um ícone sorrindo. Será que eles realmente nunca sorriem? Ou será então, que sorrir é um pecado ?


É necessário dizer, sem deixar margens para dúvidas, que  sorrir não é um pecado. 


Mas sorrir é uma emoção natural , ou mesmo podemos caracterizar como uma emoção terrena.


O sorriso pode até ser a melhor coisa na terra, especialmente se é um sorriso puro de uma criança, o sorriso carinhoso de uma mãe, ou o sorriso sincero de um amigo.


Mas o ícone nos fala de algo acima da natureza, é uma imagem de uma outra realidade, transfigurada, é uma imagem do Reino Celestial.


O ícone não é um retrato, é a imagem transfigurada e ideal do homem. 




Portanto, não há lugar nele para psicologismo, expressão facial vívida, ou uma  imagem   afetada.


Na terminologia iconográfica, a face é denominada  semblante [Russo: lik, referencia ao sentido do grego prosopon Tr. ], na medida em que não mostra a condição natural do homem, mas sim a sua natureza transfigurada.


Portanto, o rosto no ícone deve ser como a superfície clara de água, na qual a face de Cristo é refletida.


O Apóstolo Paulo escreve o seguinte sobre o objetivo da vida cristã: 


"Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós" (Gálatas 4:19).


O Salvador disse: Aquele que vê a mim vê o Pai (João 14:9), razão pela qual o santo em um ícone é uma representação não apenas de si mesmo - mas por meio dele e com ele, estamos diante de Cristo.


Em uma palavra, o significado e o conteúdo do ícone é muito longe do que seria admissível em retratos, sejam realistas, avant-garde, ou de qualquer outro tipo.


Claro, isso não significa que toda a emoção deve ser banida do ícone.




A emoção é expressa na iconografia através de gestos: a alegria,  no gesto de bênção do Arcanjo Gabriel no ícone da Anunciação; no levantamento orante das mãos para o céu nas imagem da Deípara Oranta, ou na mão pressionado para a bochecha como uma expressão de sofrimento, como temos na Deípara representada aos pés da Cruz, etc...


Mas considerando a face, o semblante, em verdadeiro ícone,veremos que o seu rosto permanece imparcial, calmo e claro.


Imagens um pouco mais emocionais são permitidos nos painéis de um ícone que representa a vida terrena de um santo, mas apenas de forma restrita.






Os olhos são de importância crucial no ícone.


Nos ícones antigos eles  foram retratados em um tamanho grande, como se abertos.


A conhecida expressão de que "os olhos são as janelas da alma" se aplica  perfeitamente em um ícone.


Os olhos também contem chave emocional da imagem. 


Compare vários ícones diferentes do Salvador, e você vai descobrir que em um Ele é misericordioso, em outro grave, em um terceiro Ele é atento, em um quarto modelo Ele é pessoal.... e assim por diante.






O acento sobre os olhos cria um efeito que faz com que não seja  você que está olhando para o ícone, mas sim que é o ícone que está olhando para você, por assim dizer.


Mas isto não é uma questão de emoção, mas,  sim de  expressão.


Não é por acaso que o Arquimandrita Zinon, um excelente iconógrafo  contemporâneo, diz que nos ícones não é o mais importante representar os olhos, mas sim a expressão.


Finalmente, a luz fornece a intensidade emocional a iconografia.






Portanto, os afrescos e ícones  de Teófano , o Grego são descritos como dramáticos e cheios de energia, porque eles têm uma luz muito intensa, como que saindo de dentro para fora dos ícones.




Em contraste, os ícones de Santo Andrei Rublev são caracterizados como tranquilos, claros, calmos e contemplativa, porque não têm esses efeitos de luz, ondas e raios, ou alargamentos de energia, mas em vez disso, a luz é derramada, distribuida  igualmente sobre a superfície dos ícones, delicadamente caindo nas colinas e tecidos de vestuário, com os rostos iluminados por uma luz interior.


Ao mesmo tempo, deve ser observado que ambos os mestres, Teófano e Rublev, representavam a expressão dos semblantes sem qualquer emoção externa.


Você não vai encontrar rostos sorridentes na iconografia clássica , porque estes são os rostos das pessoas, a quem nós, os fiéis, voltamos em oração.


Até mesmo figuras secundárias foram descritas  quase  destituídas de emoções ativas.




Para resumir: Nunca vemos sorrisos nos ícones não porque seja pecado sorrir, ou porque o Reino dos Céus seja um lugar triste, mas sim porque o ícone é uma revelação, não só sobre Deus, mas também sobre o homem, a natureza humana que os santos revelam  em uma profundidade muito maior do que estamos acostumados a perceber em nosso mundo cotidiano.




Irina Yazykova, historiadora de arte, presidente do Instituto Teologico Biblico de Santo André ,e professora de Teologia no Seminário Teológico Kolomna. 



Fonte :http://www.pravmir.ru/pochemu-na-ikonax-nikto-ne-uly/

As Oito Fontes de Tentação.



No Segundo Domingo da Grande Quaresma, a Igreja Ortodoxa celebra a memória de São Gregório Palamas, Arcebispo de Tessalônica, o grande defensor da hesicasmo. 


A fim de demonstrar que a experiência espiritual tão belamente descrita por São Gregório Palamas continua a viver até hoje dentro da Igreja Ortodoxa, oferecemos o seguinte relato de uma instrução espiritual oferecida por um hesicasta contemporâneo, o Ancião Cleopa (Ilie) (1912 -1998) do Monastério de Sihastria,  na Romênia.


O que se segue é um excerto de um artigo escrito por Sua Graça, Atanasije (Jevtic), Bispo emérito de Zahumlje e Herzegovina (Igreja Ortodoxa da Sérvia), intitulado "Os ensinamentos do  Abençoado Ancião Cleopa."


Neste artigo, o Bispo Atanasije descreve uma peregrinação que empreendeu em 1976, com um o companheiro e discípulo de São Justino Popovich,  o agora Metropolita Amfilohije (Radovic) de Montenegro e do Litoral, para visitar o Ancião Cleopa. Na época, ambos eram então Hieromonges. 


Após ofertar um histórico detalhado da prática de hesicasmo na Roménia, Sua Graça relata como, sentado em uma colina com vista para um pomar, tendo o Ancião Cleopa ajoelhado diante deles, eles perguntaram ao Ancião como viver neste mundo enquanto lutamos com as paixões e as suas tentações. 


Ancião Cleopa (Ilie) e São Justino (Popovich)




O que vamos apresentar neste artigo é justamente a  resposta dada pelo Ancião,  da forma como foi  relatada pelo Bispo Atanasije.




            O Ensinamento a respeito das oito fontes de tentação e  sobre como lutar  contra tais fontes.


"Os Santos Padres dizem ( assim o Ancião Cleopa começou a expressar de forma concisa a sua experiência espiritual , herdada dos Santos Padres e a qual ele experimentou pessoalmente , como cada uma de suas palavras confirma claramente) que, no caminho da salvação somos tentados pelo diabo de oito lados: a partir da frente, por  trás, da esquerda, a partir da direita, a partir de cima, de baixo, a partir do interior, e do lado exterior.






1. Somos tentados por trás quando nos lembramos continuamente dos pecados e más ações que já cometemos no passado, lembrando deles de novo em nossa  mente, remodelando-os, nos envolvendo com eles e nos desesperando por causa deles, e contemplando-os sensualmente. 


Tal lembrança  é então  como pecamos através do nosso passado, e tal coisa é uma tentação demoníaca.






2. Outra das fontes é  advinda de nossa  frente, advinda do medo, com o pensamento sobre o que o futuro nos reserva: sobre o que vai acontecer conosco ou com o mundo; sobre o quanto tempo vamos viver;  se teremos alguma coisa para comer;  a angustia em saber se haverá  uma guerra ou qualquer outro tipo de evento grave e terrível por vir, e, em geral, fazendo todos os tipos de suposições, previsões, profecias e tudo o mais que induz ao medo do futuro em nós.






3. A fonte de tentação demoníaca que vem da esquerda , é aquele impulso para que venhamos a cometer os  pecados mais óbvios e de se comportar e agir de maneiras que são facilmente reconhecidos como sendo ato de um pecador, atos malignos,  mas que ainda assim muitas  pessoas realizam. Essa tentação é um apelo direto para o pecado de forma aberta e consciente.






4. Há duas maneiras pelas quais o demônio nos tenta a partir da direita. A primeira é quando realizamos boas obras e ações, mas o fazendo com uma má intenção ou com um propósito mal-intencionado. 


Por exemplo,  fazemos o  bem , mas o fazemos com o fito de receber elogios, para obter uma posição, para adquirir fama, ou para alcançar algum benefício para si mesmo. Nisso se dá que estamos fazendo o bem em razão de nossa vaidade, de nossa  avareza e cobiça. 


O desempenho de boas ações para maus propósitos é pecaminoso e vão. 


O Santo Padres comparam tal desempenho de boas ações (tais como o jejum e a esmola) como feitas para um corpo sem alma. Portanto, o desempenho de boas ações, com um propósito ímpio é essencialmente uma tentação que vem da direita, isto é, vindo sob o disfarce do bem. 


A segunda tentação demoníaca da direita vem através de várias aparições e visões, quando a pessoa recebe visões do diabo em forma de Deus ou na forma mascarada de um anjo de Deus. 


Os Santos Padres caracterizam a confiando nesses espectros do diabo, ou a aceitação desses fenômenos demoníacos, como sendo ilusão ou engano (prelest).




5. Além disso, o demônio tenta a cada um de nós por cima, quando então somos capazes de realizar boas ações ou virtudes santas, mas somos preguiçosos demais para fazê-lo, ou quando sabemos que devemos realizar  maiores esforços e trabalhos nas lutas ascéticas (através do cultivo de virtudes e da realização de boas obras), e de que somos capazes de as realizar , mas não o fazemos por preguiça ou porque ficamos a procurar por desculpas para justificar a  nossa própria preguiça. 


Assim espiritualmente nós estamos rejeitando essas virtudes, fazendo muito menos do que  poderíamos de fato fazer.




6. As tentações que vem de baixo (o Ancião Cleopa, a fim de melhor explicar isso para nós, demonstrava com as mãos a direção a partir da qual uma ou outra tentação vinha, ele então brevemente repetia o que a cada direção da tentação significava) também surge de duas maneiras. 


A primeira é quando a pessoa toma sobre si lutas ascéticas que excedem a sua força,  e assim de forma imprudente forçam a si mesmos. 


Isso acontece, por exemplo, quando se está doente, mas se impõe um jejum em si mesmo que está além de sua força, ou geralmente quando se exagera qualquer luta ascética que está além da capacidade física e espiritual. Tal teimosia não é fruto de humildade, mas ao contrário, é um fruto da presunção excessiva.


Outra tentação que vem de baixo é quando nos esforçamos para aprender os mistérios da Sagrada Escritura (e dos mistérios de Deus em geral), mas não fazemos tal esforço de acordo com a própria maturidade espiritual. 


Ou seja, quando se quer penetrar nos mistérios de Deus na Sagrada Escritura (ou nos santos, ou sobre o mundo e a vida em geral) para poder  explicar e ensinar estes mistérios a outras pessoas, quando ainda não se é espiritualmente maduro para realizar tal obra. 


Os Santos Padres dizem que essa pessoa quer roer um osso com dentes de leite. 


São Gregório de Nissa fala sobre isso em seu trabalho, "A Vida de Moisés". Ele diz que foi por essa razão que Deus ordenou aos israelitas, que eram imperfeitos, a comer apenas a carne (que é como o leite para os dentes) a partir do cordeiro da Páscoa, e,  para além disso, a comer com ervas amargas, e não comer os ossos, mas em vez disso, deveriam os jogar no fogo (cf. Êxodo 12: 8, 10, 46). 


Isso significa que nós também, devemos interpretar apenas os mistérios da Sagrada Escritura (e na nossa fé em Deus em geral) de um modo que corresponda a nossa maturidade espiritual e "comer" (absorver) todos os ensinamentos com as "ervas amargas", ou seja, com tudo aquilo que a vida nos traz (o sofrimento,a dor), não devemos portanto " morder "os mistérios da Sagrada Escritura, o conhecimento divino, e Providência de Deus, com os seus tantos ossos duros, com os dentes de  nossa dentição enquanto éramos bebês. Esses ossos ainda são destinados ao fogo, isto é, vão se tornar claros apenas quando houver uma maturidade espiritual madura , advinda de  almas experientes, que já foram testadas pela graça, tomadas pelo Fogo Divino.




7. Somos tentados a partir de dentro por aquilo que temos em nosso coração e por aquilo que procede dele. 


O Senhor Jesus Cristo afirmou claramente que é de dentro, de um coração que cultiva  pensamentos pecaminosos e impuros, desejos e procedimentos luxuriosos ( Mateus 15:19) que advém as tentações. 


As tentações não vêm apenas do diabo, mas também humanamente, advinda das más intenções e habilidades distorcidas, da luxúria, dos maus desejos, e do nosso amor interior pelo pecado, que procede de um coração obscurecido.








8. Finalmente, a oitava fonte de tentação demoníaca advêm do exterior, através de coisas externas e das mais variadas ocasiões, isto é, por tudo o que vem de fora e adentra em nós através dos nossos sentidos, que são as janelas para a alma. 


Essas coisas externas não são más em si mesmas, mas por meio deles os sentimentos podem ser tentado e induzido ao mal e ao pecado.


Estes, então, são as oito fontes pelas quais todos nós somos tentados, independentemente  se estamos no mundo ou se vivemos em reclusão."


(Tendo completado a lista de  todas as oito fontes pelas quais somos tentados, o Ancião Cleopa as repetiu brevemente, e em seguida, adicionou as formas e os meios pelos quais podemos combater cada uma dessas tentações.)


"Contra cada uma dessas tentações - por trás, pela frente, da esquerda, da direita, de cima, de baixo, de dentro e de fora - é preciso lutar por meio da vigilância (o Ancião usava justamente a palavra eslava Trezvenie, isto é, atenção,  o cuidado e vigília da alma e do corpo; a vigília e a vigilância do espírito; sobriedade e discernimento, atenção aos próprios pensamentos e ações, ou, numa palavra: discernimento). 






O outro meio, conjunto a atenção,  é a oração constante que invoca o nome do Senhor Jesus Cristo, isto é, através da oração incessante. 


Em outras palavras (o Ancião acrescentou), os Santos Padres ensinam que a batalha contra todas as tentações e paixões consiste no seguinte: guardar todo o nosso espírito, alma e corpo da tentação - essa é a nossa luta ascética, do nosso ponto de vista humano ; do lado divino, deve-se continuamente , através da oração, invocar a ajuda do Todo-Misericordioso Senhor Jesus Cristo - e isso se alcança pela oração incessante e fundamental dos hesicastas, conhecida como a Oração de Jesus: "Senhor Jesus Cristo, tem misericórdia de mim, um pecador! "



segunda-feira, 12 de março de 2012

Piedade Ortodoxa : Velas : A Luz da Fé.


Por qual razão,  nós , os cristãos ortodoxos, acendemos velas em nossos templos ?


No que diz respeito a velas, há tipicamente dois tipos de velas com as quais  os ortodoxos estão familiarizados, e que vão ser objetos verdadeiramente distintos. 


Então há primeiro as velas feitas a partir da pura cera , retirada dos favos das colmeias. 


Em segundo lugar, existem as velas de cera de parafina , retiradas portando de um derivado do petróleo. 


Para os cristãos ortodoxos não há qualquer dúvida, de que quando os Santos Padres da Igreja fazem menção ao uso das velas para a adoração, eles estão se referindo às velas de pura cera de abelha. 


É sabido que a cera de parafina produz substâncias cancerígenas, por meio de sua  fuligem quando consumida. Na verdade, indo mais alem, recentemente um estudo sobre a qualidade do ar afirmou que a fuligem de uma vela de parafina contém muitas das mesmas toxinas que são produzidas pela queima do combustível diesel.






Bom, com essas informações em mente, podemos talvez compreender ainda com mais entendimentos os seis elementos simbólicos, contidos na exposição catequética de São Simeão de Tessalônica sobre as velas :


1. Assim como  a vela é pura (pura cera de abelha ), assim também deve ser puro, o nosso coração.


2. Assim como a vela é flexível ( diferente do que ocorre com a vela de parafina), assim também deve ser flexível as nossas almas, até que possamos as tornar retas e firmes no Evangelho.


3. Assim como a vela é derivada do pólen de uma flor e tem um odor doce, assim também deve ser as nossas almas, ofertando o aroma doce da Graça Divina.


4. Assim como a vela, quando se queima, se mistura e alimenta a chama, assim também devemos lutar para alcançar a Theosis.


5. Assim como a vela acesa ilumina a escuridão, assim deve ser a  luz de Cristo dentro de nós, para que então possamos fazer esta luz brilhar diante dos homens, e que o nome de Deus Seja Glorificado.


6. Assim como a vela dá a sua própria luz para iluminar um homem na escuridão, assim também deve a luz das virtudes, a luz do amor e da paz, caracterizar cada um de nós cristãos. E a cera que derrete simboliza a chama do nosso amor por nossos semelhantes.






Além da representação simbólica  acima, São Nicodemos, o Hagiorita nos dá seis razões diferentes pelas quais ortodoxos acendem suas velas:


1. Para glorificar a Deus, que é Luz, assim como cantamos na Doxologia: "Glória a Deus, que nos mostrou a luz ..."


2. Para dissolver a escuridão da noite e banir para longe de nós o medo que é provocado pela escuridão.


3. Para manifestar a alegria interior de nossa alma.


4. Para dar honra aos Santos de nossa fé, imitando os primeiros cristãos dos primeiros séculos, que acenderam velas junto dos túmulos dos Mártires.


5. Para simbolizar as nossas boas obras, como o Senhor disse: "Deixe sua luz brilhar diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus." E o sacerdote também nos deu este encargo, quando do nosso Batismo.


6. Para que tenhamos  os nossos próprios pecados perdoados e consumidos, assim como os pecados daqueles por quem oramos.




Por todas estas razões citadas pelos nossos Santos Padres,devemos  muitas vezes acender nossas velas e nos certificarmos  tanto quanto possível que eles sejam velas puras. 


E claro, devemos abster-se de toda a nossa corrupção e imundície, para que todo o simbolismo acima seja de fato real em nossas vidas cristãs.


Em um determinado momento da  Liturgia dos Dons Pré Santificados, o Sacerdote com uma vela acesa, e de frente para as pessoas, proclama: "A luz de Cristo brilha sobre todos". 


Cristo é "a verdadeira luz que ilumina e santifica todos os homens".  Mas somos dignos de sermos destinatários desta  luz? Os próprios santos constantemente procuravam por esta luz. 






Vamos, então, também imitar os santos e como São Gregório Palamas (comemorado no dia de ontem o Segundo Domingo da Ortodoxia) continuamente suplicava ao Senhor , com as seguintes palavras: 


                                                         "Iluminai a minha escuridão". 





Fonte : http://www.johnsanidopoulos.com

sábado, 10 de março de 2012

Segundo Domingo da Grande Quaresma : A doença física e espiritual


"E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa.E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra.
E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 
E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados.
E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? 
E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer ao paralítico:
 Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico),A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos."
Evangelho de São Marcos, 2:1,2
Na leitura do Evangelho deste Segundo Domingo da Grande Quaresma ,ouvimos o registro sobre a cura de um homem que está doente com paralisia cerebral, uma condição que impingia ao homem ser paralisado por seus músculos enfraquecidos. 


Essa condição se assemelha a nossa: Nós também estamos  paralisados por causa dos nossos pecados, enfraquecidos por nossos  pensamentos mundanos e pelo nosso modo de  vida inconstante, em todos os nossos caminhos. 



Quando tudo está indo bem, é fácil para nós vivermos a maneira ortodoxa da vida. 


Orar não é um fardo. Jejuar se torna  fácil e agradável. Nós então lembramos das pessoas necessitadas de auxílio e somos generosos com aqueles que são acossados com tentações e os perdoamos com facilidade. 


Mas quando as coisas se tornam mais difíceis, como quando estamos doentes, ai tudo fica diferente. É difícil rezar. O jejum se torna um desafio. Nós não pensamos nos outros, apenas de nós mesmos. Nós muitas vezes saciamos as nossas fraquezas, usando como desculpa nossas doenças. 


Os Santos Padres nos ensinam que só vamos descobrir quem realmente nós somos quando estamos sujeitos aos momentos de tentação e dificuldades, como quando estamos doentes. 
Nós somos  empurradas pelas circunstâncias, desafiados, e assim revelamos quem de fato somos. 


No caso do homem doente da paralisia, nós podemos supor que ele conseguia perceber  a sua condição deficiente, e em  razão disso pode pedir  para ser levado ao Senhor para que Ele o ajudasse.  Se nós formos sábios, vamos então fazer o mesmo, todas as vezes em que nos encontrarmos em circunstâncias difíceis. 


Nosso Senhor não curou imediatamente  o homem, mas sim, perdoou  seus pecados.

 Nós geralmente não gostamos de considerar isso, mas normalmente há uma ligação entre o nosso estado físico e a nossa condição espiritual, e quando estamos doentes espiritualmente, podemos perceber que esta acaba por influenciar doenças físicas em nós. 


É claro, devemos sempre considerar como nós  vivemos, e assim confessar  e nos arrepender sempre quando descobrimos que pecamos, e nós devemos dar graças a Deus pelas circunstâncias difíceis da vida, pois elas nos mostram quem somos e como cada um de nós ainda tem muito trabalho por fazer para se tornar a pessoa que Deus quer que nós sejamos.  



Quando o homem paralítico foi curado dos males do seu corpo, Nosso Senhor diz para ele tomar o seu leito e andar. Ao fazer isso, o homem demonstra a todos que ele foi verdadeiramente curado, e que assim todos deveriam saber que os  seus pecados foram, de fato, perdoados.


Assim também é conosco.  Quando examinamos nossas vidas, e nos arrependemos e confessamos os nossos pecados, a promessa de Deus é  que os nossos pecados, também serão curados  pela misericórdia de Deus, de forma que nós também, devemos tomar a nossa maca e caminhar com as nossas pernas. 


E caminhar com as nossas pernas, significa que  devemos também manifestar  em obras, bem como em palavras, os frutos da nossa cura. Deve passar a haver algo diferente em quem somos e no que dizemos e fazemos depois de termos nos arrependido e confessado. Se nada se faz diferente, nós precisamos nos perguntar se realmente nos arrependemos e se de fato confessamos todos os nossos pecados. 


O  tempo da Grande Quaresma é uma viagem de  preparação para a celebração da Páscoa de Nosso Senhor, do Seu Triunfo sobre a  morte em nosso favor. 


Devemos neste tempo, pedir a Deus, que  por Sua graça, Ele nos permita que sejamos capazes de ver as nossas enfermidades e as nossas fraquezas e toda a  nossa maldade; e também implorar que ele nos conceda, através da Sua  graça, nos arrependermos e confessarmos tudo isso que nos foi possível ver dentro de nós, e assim pedir para que Ele nos perdoe nos cure.


Vamos então,  assumir o trabalho de viver a vida em Cristo, para que todos possam ver, para a  glória de Deus e a salvação das nossas almas.

Reverendíssimo Presbítero John McCuen.