"Santifica os que amam a beleza da Tua casa"

Este video registra imagens da celebração da Festa da Exaltação da Santa e Vivificante Cruz do Senhor, realizada no Seminario e Academia Teológica Ortodoxo de São Petesburgo (Patriarcado de Moscou).

Toda a beleza e piedade que a Santa Igreja de Cristo oferta ao mundo, advem do seu incansável amor a Deus e aos homens.

A Deus ela oferta os seus humildes esforços, em uma constante confissão, uma constante espera, com temor e alegria.

Aos homens, ela chama, a cada um de nós, para se juntar neste esforço, para que a nossa vida seja tomada por esta beleza, por este jubilo, por este amor.

Na Igreja, como que por uma fresta, vislumbramos a realidade, um pouco sobre o mundo futuro, aquele que será totalmente transfigurado pelo Senhor, Rei de todos.

Que Deus nos permita, enquanto ainda podemos, olhar com veneração para a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos unirmos a ela, para que com ela possamos viver em oração, para que o Sagrado Reino ja possa viver em nós neste mundo.

"Salve, vivificante Cruz,/ troféu invencível da piedade, porta do Paraíso,/ conforto dos fiéis, fortaleza da Igreja;/ por ti foi anulada a corrupção,/ aniquilado e abolido o poder da morte;/ e por ti fomos elevados da terra para o céu./ Arma invencível, adversária dos demônios,/ glória dos Mártires, verdadeiro ornamento dos Justos e dos Santos,/ porta de salvação,// por ti veio ao mundogrande misericórdia."

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre a Lei de Deus : A natureza do pecado.


Todos os cristãos ortodoxos sabem pelas Sagradas Escrituras e acreditam que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Portanto, na criação, o homem recebeu uma natureza isenta de pecado. 
Mas nem sequer o primeiro homem, Adão, permaneceu sem pecar. Ele perdeu sua pureza original no Paraíso com a primeira queda no pecado. 
A toxina de sua corrupção contaminou toda a humanidade, que provém de progenitores que pecaram, como a água envenenada que corre de uma fonte envenenada. 
Toda pessoa comete seus próprios pecados pessoais, atuando justamente por causa da inclinação a pecar herdada dos nossos ancestrais, como diz a sentença das Escrituras: "Não há homem justo sobre a terra que faça o bem sem jamais pecar"
Apenas o nosso Senhor Jesus Cristo é totalmente livre de pecado. Inclusive os justos, os santos de Deus, carregaram pecado dentro de si, e, ainda que lutassem com a ajuda de Deus contra o pecado, humildemente se reconheciam como pecadores. 
Portanto, todas as pessoas, sem qualquer exceção, são pecadoras, contaminadas pelo veneno do pecado.
O pecado é uma lepra espiritual, uma enfermidade e uma úlcera que fere toda a humanidade, tanto na alma como no corpo. O pecado prejudicou as três capacidades e potências básicas da alma: a mente, o coração e a vontade. A mente foi obscurecida, inclinada ao erro. 
Portanto, o homem erra constantemente: na ciência, na filosofia e em sua atividade prática.
O que está mais prejudicado pelo pecado é o coração humano: o centro da experiência do bem e do mal, dos sentimentos de tristeza e alegria. 
Vemos que o nosso coração foi muito ligado ao pecado; ele perdeu sua capacidade de ser puro, espiritual e cristão, de possuir sentimentos verdadeiramente elevados. E ao invés disso, ele é inclinado aos prazeres da sensualidade e das atrações terrenas. Ele está infestado de vanglória e muitas vezes nos assombra com uma completa falta de amor e de desejo de fazer o bem ao próximo.
O que está prejudicado acima de tudo, porém, é a capacidade da nossa vontade de efetuar nossas intenções. O homem demonstra que carece de força de vontade, especialmente quando é necessário praticar o verdadeiro bem cristão, muito embora ele possa desejá-lo. 
O Santo Apóstolo Paulo falou sobre tal fraqueza da vontade, quando disse: "Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero"(Romanos 7,19). É por isso que Cristo disse ao homem pecador: "todo homem que se entrega ao pecado é escravo do pecado" (João 8,34), embora, desgraçadamente, muitas vezes pareça ao pecador que pecar é liberdade e que lutar para escapar de suas redes é escravidão.
Como o pecado se desenvolve na alma humana? Os Santos Padres, lutadores de ascetismo e de piedade cristã, que conheciam a alma humana pecadora, possuem explicações muito melhores que as dos doutos psiquiatras. Eles distinguiram três fases no pecado: o primeiro momento no pecado é a sugestão, quando uma tentação aparece na consciência da pessoa: uma impressão pecaminosa, um pensamento sujo ou qualquer outra tentação. 
Se, neste primeiro momento, a pessoa recusa a sugestão pecadora de forma decidida e imediata, a pessoa não peca, pois vence o pecado e sua alma experimentará o progresso ao invés da degeneração. É justamente no primeiro momento da sugestão do pecado que ele é mais fácil de ser removido. Mas se a sugestão não for derrotada, então ela passará a ser um intento mal definido, e então a um claro desejo consciente de pecado. É neste momento que a pessoa começa a inclinar-se ao pecado de um certo tipo ou classe. Não obstante, inclusive neste momento, sem uma luta especialmente difícil, pode-se evitar a entrega ao pecado e abster-se de pecar. A pessoa será ajudada pela voz da consciência e pela ajuda de Deus, se apenas se voltar a Ele.
Depois desse ponto, a pessoa já caiu em pecado. As reprovações da consciência soam alto e claramente, incitando uma repulsa contra o pecado. A antiga confiança em si mesmo desaparece e o homem é humilhado (compare o Apóstolo Pedro antes e depois de sua negação de Cristo). Mas, mesmo neste ponto, a derrota do pecado não é inteiramente difícil. Isso pode ser visto em diversos exemplos, como nas vidas de Pedro, do Santo Profeta-Rei Davi e outros pecadores arrependidos.
É mais difícil lutar contra o pecado quando, após sua repetição freqüente, ele se torna um hábito da pessoa. Depois que o homem adquire qualquer hábito, as ações habituais são executadas facilmente, quase sem que ele se dê conta, espontaneamente. Assim, a luta contra o pecado que se tornou um hábito é muito mais difícil de ser vencida, pois não é apenas difícil vencê-lo, como também é complicado detectá-lo em sua aproximação e processo.
Um momento ainda mais perigoso do pecado é o vício. Nesta condição, o pecado governa a pessoa de tal forma que põe sua vontade em correntes. Agora, ela quase já não tem mais capacidade para lutar contra ele. Ela está escrava do pecado, ainda que reconheça o seu perigo e, nos intervalos de lucidez, talvez até o odeie com toda a alma (como ocorre, por exemplo, com o vício do alcoolismo, dependência de narcóticos, etc.). E nesta condição a pessoa não pode lutar consigo mesma sem uma ajuda e uma misericórdia especial de Deus, além de necessitar da oração e ajuda espiritual dos outros. 
Devemos tomar cuidado inclusive com os pecados que parecem pequenos, como a fofoca, o prazer de adornar-se e enfeitar-se, com as diversões vazias, etc. Todas elas podem se transformar em vícios no homem, se o possuírem inteiramente e encherem sua alma.
O estado mais baixo do pecado, no qual o pecado escraviza a pessoa totalmente, é a paixão de um ou de outro tipo. Nesta condição, o homem já não pode mais odiar seu pecado, como pode fazer com um vício (essa é a diferença entre eles). Então, o homem se submete ao pecado em todas as suas experiências, ações e atitudes, como Judas Iscariotes. Assim, a pessoa permite que Satanás entre em seu coração (como é dito sobre Judas no Evangelho), e quando ela está assim, nada mais poderá ajudá-la, exceto as orações cheias de Graça da Igreja e outras ações semelhantes.
Há um outro tipo de pecado especial, mais terrível e destruidor. É o pecado mortal.
Nem mesmo as orações da Igreja podem ajudar o homem que está em tal condição. 
O Apóstolo João, o Teólogo, fala diretamente sobre ele quando nos convida a orar por um irmão que está em pecado, mas assinala a inutilidade das orações pelos que estão em pecado mortal.
O Senhor Jesus Cristo disse que este pecado – a blasfêmia contra o Espírito Santo – não é perdoado e nem será perdoado, nem na vida atual, nem na que há de vir. 
Ele pronunciou tais palavras terríveis contra os fariseus, que, embora vissem claramente que Ele fazia tudo segundo a vontade e o poder de Deus, continuavam a falsificar a Verdade. 
Eles pereceram em sua blasfêmia e seu exemplo é instrutivo e urgente àqueles que cometeriam o pecado mortal: pela oposição obstinada e consciente à Verdade indubitável e daí uma blasfêmia contra o Espírito de Verdade: o Espírito Santo de Deus.
Temos que observar que até mesmo a blasfêmia contra o Senhor Jesus Cristo pode ser perdoada ao homem (segundo as Suas próprias palavras), já que pode ser cometida em ignorância ou cegueira temporária. A blasfêmia contra o Espírito Santo poderia ser perdoada, disse Santo Atanásio, o Grande, apenas se a pessoa a abandonasse totalmente, arrependendo- se dela. Mas a natureza desse pecado é tal, que é quase impossível que a pessoa volte à Verdade. O cego pode recuperar sua visão e amar aquele que lhe revelou a verdade, e o que está repleto de vícios e paixões pode ser purificado pelo arrependimento e converter-se em confessor da Verdade, mas quem pode transformar um blasfemo, que viu e conheceu a Verdade, mas a recusa obstinadamente e até a odeia? Sua terrível condição é semelhante à condição do diabo, que crê em Deus e treme, mas que, não obstante, O odeia, blasfema contra Ele e está em adversidade com Ele.
Quando a sedução, a tentação ao pecado, se apresenta ao homem, ela geralmente procede de três fontes, a saber: da própria carne do homem, do mundo e de Satanás.
Em relação à carne do homem, não existe dúvida alguma de que ela é geralmente uma caverna e fonte de predisposições, intentos e inclinações imorais. 
O pecado ancestral – esta inclinação ao pecado, herança do pecado de nossos progenitores – e as nossas próprias experiências pecaminosas pessoais: tudo isso é acumulado e cada experiência fortalece as outras experiências, criando em nossa carne uma fonte de tentações, atitudes e ações pecaminosas.
Ainda, com mais freqüência, nossa fonte de sedução pode ser o mundo que nos cerca, o qual, segundo o Apóstolo João, o Teólogo,"está sob o poder do maligno", e a amizade com o qual é, segundo outro Apóstolo, inimizade com Deus. O mundo que nos cerca (ou nossa circunstância) nos seduz, e as pessoas que nos cercam também nos seduzem (especialmente os sedutores e corruptores voluntários e conscientes da juventude, dos quais o Senhor disse: "Todo o que fizer tropeçar e pecar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar" ).
Os bens exteriores também são as tentações, como as riquezas, comodidades, bailes imorais, literatura suja, vestuário desavergonhado, etc. Tudo isso é indubitavelmente uma fonte fétida de pecado e sedução.
Mas a principal raiz e fonte do pecado é, naturalmente, o diabo, como disse o Apóstolo São João, o Teólogo: "Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio". Na luta contra Deus e Sua Verdade, o diabo luta contra os homens, tentando destruir cada um de nós. Ele luta mais intensamente e com todas as suas forças contra os santos, como vemos no Evangelho e nas vidas dos santos. Nós, enfermos e débeis, somos especialmente defendidos por Cristo contra as tentações ferozes a que os santos de Deus, fortes de espírito, são sujeitados. Não obstante, Satanás não nos ignora, atuando por meio das incitações do mundo e da carne, fazendo com que elas fiquem mais fortes e enganadoras, e também nos tentando com sugestões pecaminosas de todos os tipos. Por isso o Apóstolo Pedro compara Satanás a um "leão enfurecido que anda à espreita, buscando a quem devorar".

Retirado do Livro “Sobre a Lei de Deus”, obra catequética do Abençoado Metropolita Filareto (Voznesensky) de Nova York. Seja a sua  memória eterna!
Tradução : Elizabeth (Luy) Braida e Rafael Rezende Daher. 

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