terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sobre a Lei de Deus : A Humildade.





De acordo com os ensinamentos dos nossos Santos Padres portadores de Deus -- os atletas e lâmpadas da piedade cristã -- a primeira de todas as virtudes cristãs é a humildade. 


Sem essa virtude, nenhuma outra virtude pode ser adquirida, e a perfeição espiritual de um cristão é impensável. Cristo, o Salvador, inicia Seus preceitos de bem-aventurança do Novo Testamento com o preceito da humildade. 


"Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos Céus!".


No sentido usual da palavra, consideramos pobre uma pessoa que não tem nada e deve pedir aos outros por ajuda. 


O cristão (seja materialmente rico ou pobre) deve reconhecer que ele é espiritualmente pobre, que não há bem dele mesmo dentro de si.


 Tudo de bom em nós é de Deus. De nós mesmos, nós adicionamos somente mal -- amor próprio, caprichos da sensualidade e orgulho pecaminoso. 


Cada um de nós deve lembrar disso, pois não é em vão que a Santa Escritura diz: "Deus se opõe ao orgulhoso e dá Graça ao humilde".


Como já dissemos, sem humildade, nenhuma outra virtude é possível, pois se o homem não cumpre a virtude num espírito de humildade, ele inevitavelmente cairá num orgulho oposto a Deus, e cairá longe da misericórdia de Deus.


Junto com uma verdadeira, profunda humildade, cada cristão deve ter uma aproximação espiritual como aquela falada no segundo preceito da bem-aventurança. 


Sabemos que a humildade rebaixa e julga alguém. Freqüentemente, porém, esse não é um profundo, constante estado de espírito e experiência da alma, mas um sentimento superficial e raso. 






Os Santos Padres indicaram uma maneira pela qual a sinceridade e profundidade da humildade pode ser testada:


Comece a repreender uma pessoa no seu rosto, por aqueles mesmos pecados e naquelas mesmas expressões nas quais ela "humildemente" se julga. 


Se sua humildade for sincera, ela ouvirá as repreensões sem raiva, e algumas vezes agradecerá a você pela instrução humilhante. 


Se ela não tiver verdadeira humildade, não suportará as repreensões, mas ficará com raiva, já que seu orgulho vai se empinar pelas repreensões e acusações.


O Senhor diz: "Bem-aventurados aqueles que lastimam, pois serão consolados".


 Em outras palavras, bem-aventurados são aqueles que não apenas se entristecem por sua própria imperfeição e imerecimento, mas choram por isso. 


Por lastimar, entendemos, antes de tudo, lástima espiritual -- chorar pelos pecados e a resultante perda do Reino de Deus. 


Além do mais, entre ascetas do cristianismo, houveram muitos que, cheios de amor e compaixão, choravam por outras pessoas -- por seus pecados, quedas e sofrimentos. 


Também está em sintonia com o espírito do Evangelho contar como lastimadores todas aquelas pessoas sofridas e desafortunadas que aceitam seu infortúnio de um modo cristão: humildemente e submissamente. 


Elas são verdadeiramente abençoadas, pois serão consoladas por Deus, com amor. 


E aqueles que, pelo contrário, procuram obter somente prazer e diversão na vida terrena, absolutamente não são abençoados. 


Embora considerem-se afortunados, e outros os considerem assim, de acordo com o espírito do ensinamento evangélico, eles são as pessoas mais desafortunadas. 


É precisamente a eles que este aviso ameaçador do Senhor é direcionado: "Ai de ti, rico! Pois recebeste tua consolação. Ai de ti, que estás cheio! Pois tu deverás sentir fome. Ai de ti, que ris agora! Pois tu deverás lastimar e chorar".


Quando um homem é cheio de humildade e pesar por seus pecados, ele não pode fazer paz com aquele mal do pecado, que tanto mancha a ele e aos outros.


 Ele luta para fugir da sua corrupção pecaminosa e da inverdade da vida ao redor -- para se voltar para a verdade de Deus, para a santidade e a pureza.


Ele busca essa verdade de Deus e seu triunfo sobre as inverdades humanas e deseja isso mais fortemente que alguém faminto deseja comer, ou alguém sedento deseja beber.


O quarto preceito, que está ligado aos dois primeiros, nos fala disto: "Bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados". 


Quando serão saciados? Em parte, aqui na vida terrena, na qual esses fiéis seguidores da verdade de Deus já vêem, às vezes, os princípios do seu triunfo e vitória nas ações da Providência de Deus e nas manifestações da justiça e onipotência de Deus. 


Mas sua fome e sede espiritual será satisfeita e saciada por completo lá, na abençoada eternidade, no "novo céu e nova terra, onde a justiça vive".



Retirado do Livro “Sobre a Lei de Deus”, obra catequética do Abençoado Metropolita Filareto (Voznesensky) de Nova York. Seja a sua  memória eterna!
Tradução : Elizabeth (Luy) Braida . 

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